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Doenças Endócrinas e a COVID-19


 

No Brasil em 2017, havia mais de 12 milhões de pacientes com diabetes, além de outros com obesidade e disfunções da glândula tireoide. É importante estarmos preparados para esses casos neste período de pandemia da Covid-19 neste ano de 2020.

No “Conectados com o Professor” desta semana, a Prof.ª Dr.ª Anna Luiza Bittencourt conta um pouco sobre as Doenças Endócrinas e a COVID-19. 

Segundo Anna Luiza, “Pacientes diabéticos não têm maior risco de serem contaminados, mas, uma vez infectados, apresentam maior risco de complicações decorrentes da Covid-19, inclusive de mortalidade. Os riscos de agravamento estão relacionados a fatores como diabetes mal controlada, maior tempo de evolução da doença, pacientes com mais de 60 anos e, além disso, pacientes que já têm as complicações próprias da diabetes mal controlada, tanto as microvasculares como nefropatia, retinopatia e macrovasculares, coronariopatia. Por outro lado, controle adequado da glicose atenua o risco de complicações. ”


Anna Luiza aponta os principais tipos de diabetes:
Tipo 1 -  que se desenvolve na idade mais nova, por fatores hormonais.
Tipo 2 -  que se desenvolve em pacientes mais velhos que possivelmente tiveram obesidade e sedentarismo.

“Não há diferença de complicações por ser do tipo 1 ou 2. O que estudos apontam são os fatores de pior prognóstico, idade avançada, falta de controle da doença diabetes, presença de comorbidades como: obesidade, hipertensão e doença renal crônica. ”, ressalta Anna Luiza.

Como prevenir?

Devem evitar o contato com pessoas com sintoma respiratório e sinais como febre e/ou coriza.
Lavagem frequente das mãos.
Cobrir a boca e o nariz, e lavar as mãos após tossir ou espirrar.
Não compartilhar talheres, pratos e outros objetos.
Beber água regularmente.
Ficar em ambientes ventilados.
Manter um sono de boa qualidade e alimentação balanceada (controle glicêmico e medicação).


A professora afirma que o risco de complicações será menor no paciente bem controlado, que deve continuar fazendo normalmente o uso dos medicamentos para diabetes, assim como para pressão alta, colesterol, coração, etc. “Não há estudos que comprovem que a diabetes aumenta risco de infecção, mas, sim que podem desenvolver mais complicações. É importante nunca parar de tomar medicamento sem conversar com seu médico. ”

Sobre a prática de atividade física e hábitos de alimentação saudável, a professora afirma:

“Os exercícios físicos são necessários para a boa saúde. Manter uma rotina, mesmo durante a pandemia. Os benefícios são: o controle do peso, controle metabólico, proteção cardíaca e o benefício psíquico (frente à angústia com as incertezas). ”
Para pacientes de risco, Dra. Anna ressalta a necessidade de realizar atividade físicas. “Atividades em casa são ideais para se proteger, e ainda há aplicativos com aulas online que podem ajudar. As atividades ao ar livre ainda tem sido uma questão polêmica, preferir a forma individualizada ou, se for fazer com outras pessoas, manter a distância segura de 2 metros. Adaptar as questões de higiene, como lavar as mãos, limpar equipamentos antes e depois de usar, tirar os tênis, tirar as roupas para lavar e já tomar um banho. ”

Alimentação

“Manter hábitos saudáveis, evitar alimentos ultraprocessados, ingerir com moderação os alcoólicos, frutas e verduras são sempre bem-vindas. A alimentação adequada manterá também o sistema imunológico fortalecido para o bom funcionamento do corpo. Uma dieta saudável diminui as chances das outras doenças que são fatores de risco numa situação de contágio pelo coronavírus. Lembre-se sempre, utilize máscara quando sair para as compras”, ressalta a professora.

Sobre os outros grupos de doenças endócrinas, Dra. Anna Luiza responde se há algum risco maior para os pacientes, perante a pandemia da COVID-19.

Tiroidopatias – São parte do grupo de risco? 
“Não. Mesmo se tiverem doenças autoimunes Tireoidite de Hashimoto ou graves, os pacientes devem seguir as mesmas recomendações do Ministério da Saúde e manter bom controle da doença. Se infectados com a Covid-19, o tratamento desses problemas da tireoide se manterá da mesma forma e deverão informar que possuem esta comorbidade. ”

Câncer da tireoide – Há risco maior para a Covid-19? Diferença no manejo? 
“Pacientes com critério de cura, que passaram por cirurgia, com iodoterapia, que têm a doença controlada, não estão no grupo de risco. Devem fazer as recomendações habituais. Nos casos mais avançados, com metástase para outros órgãos, ou passando por medicamentos específicos, podem apresentar maior risco de gravidade, tanto pela doença quanto pelos efeitos colaterais. Isolamento social e demais medidas. Devem procurar seus endocrinologistas para recomendações caso a caso. ”

Pacientes usuários crônicos de corticoide: “prednisona 5mg mais de 30 dias, ou 20mg mais de 14 dias, ou outro com quantidade equivalente, não podem suspender de forma abrupta, se forem infectados, devem dobrar a dose. Em sintomas falta de ar, tontura, etc. devem procurar atendimento médico. ”

Finalizando, a Professora sugere o site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Sociedade Brasileira de Diabetes, para pesquisa de materiais úteis para estudantes e profissionais de Medicina.

“Vivemos um momento ímpar, com mudança de conduta e fixar o básico que é adotar as medidas de higiene e atenção especial para os pacientes com comorbidades. Enquanto a pandemia não passa, manter a calma e o otimismo, manter a rotina de atividade física. ”, encerra Anna Luiza.