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A importância e os benefícios do aleitamento materno


Comemorada anualmente entre os dias 1 e 7 de agosto, a Semana do Aleitamento Materno promove a amamentação e a criação de bancos de leite para melhor a qualidade de vida das crianças em todo o mundo. 

Neste mês que simboliza a luta pelo incentivo à amamentação, o “Conectados com o Professor” desta semana aborda sobre a importância e os benefícios do aleitamento materno. Quem fala sobre o tema é a docente do curso de Medicina da Faculdade Atenas Passos, Camilla Borges.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) conceitua o aleitamento materno quando a criança recebe leite materno (direto da mama ou ordenhado), independentemente de receber ou não outros alimentos. O aleitamento materno constitui uma estratégia natural de vínculo, afeto, proteção e nutrição para a criança. A amamentação é uma forma muito especial de comunicação entre a mãe e o lactente, e uma oportunidade da criança aprender muito cedo a se comunicar com afeto e confiança.

Além disso, o aleitamento materno tem impacto econômico para as famílias, visto que dependendo do tipo de fórmula infantil consumida pela criança, o gasto pode representar uma parte considerável dos rendimentos da família, associado ainda aos custos com mamadeiras, bicos e gás de cozinha, além de outros possíveis gastos decorrentes de doenças, que são mais comuns em crianças não amamentadas. 

Estudos ainda mostram que o aleitamento materno é eficaz na redução de doenças e mortes na infância, com reflexos na qualidade de vida das famílias, uma vez que, como as crianças amamentadas adoecem menos, necessitam de menos atendimento médico, hospitalizações e medicamentos, o que pode implicar menos faltas ao trabalho dos pais, bem como menos gastos e situações estressantes às famílias.

Os fatores de proteção presentes no leite materno protegem as crianças contra infecções, sendo observadas menos mortes entre as crianças amamentadas. O aleitamento materno diminui o risco de diarreias, infecções respiratórias, alergias, além de reduzir o risco de hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade nas crianças amamentadas. 

Em relação à nutrição, o leite materno é capaz de suprir sozinho as necessidades nutricionais da criança nos primeiros seis meses, e continua sendo uma importante fonte de nutrientes no segundo ano de vida, especialmente de proteínas, gorduras e vitaminas. A literatura ainda traz que o leite materno contribui para um melhor desenvolvimento cognitivo e da cavidade bucal da criança.

Para a mulher, reduz a prevalência do câncer de mama e tem efeito contraceptivo (evita uma nova gravidez) quando exclusivo e sob livre demanda até o 6º mês de vida do lactente. O Ministério da Saúde ainda ressalta que o aleitamento materno é considerado um fator de proteção para a mãe contra diabetes tipo 2, câncer de ovário, câncer de útero, aumento da taxa de colesterol no sangue, hipertensão, doença coronariana, obesidade, doença metabólica, osteoporose, fratura de quadril, artrite reumatoide, depressão pós-parto e diminuição do risco de recaída de esclerose múltipla pós-parto.

Restrições e cuidados
As situações em que pode haver substituição total ou parcial do leite materno são poucas. O aleitamento materno não deve ser recomendado para as mães que vivem com HIV; mães infectadas pelo HTLV1 e HTLV2; em caso de uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação pelas mães, como por exemplo, os antineoplásicos e radiofármacos, e para crianças que possuem galactosemia, doença rara em que ela não pode ingerir leite humano ou qualquer outro que contenha lactose.

Recomenda-se a interrupção temporária da amamentação nas seguintes situações: infecção pelo vírus herpes (quando há vesículas localizadas na pele da mama, a amamentação deve ser mantida na mama sadia); Varicela; Doença de Chagas, na fase aguda da doença ou quando houver sangramento mamilar evidente; em caso de consumo de drogas de abuso, como anfetaminas, cocaína, heroína, maconha e fenciclidina, se usadas, deve-se avaliar o risco da droga versus o benefício da amamentação, para orientar sobre o desmame ou a manutenção da amamentação. Drogas consideradas lícitas, como o álcool e o tabaco, também devem ser evitadas durante a amamentação. No entanto, as mulheres tabagistas devem manter a amamentação, pois a suspensão da amamentação pode trazer riscos ainda maiores à saúde do lactente.

Nos casos citados, nos quais há necessidade de interrupção temporária da amamentação, deve-se estimular a produção do leite com ordenhas regulares e frequentes, até que a mãe possa amamentar o seu filho.

O apoio dos serviços e profissionais de saúde é fundamental para que a amamentação tenha sucesso. Durante as ações educativas dirigidas à mulher e à criança, deve-se ressaltar a importância do aleitamento materno por dois anos ou mais, e exclusivo nos primeiros seis meses, enumerando as demais vantagens da amamentação para o lactente e a mãe.

Durante o pré-natal, a mulher deve ser orientada sobre os cuidados com as mamas, como banhos de sol nas mamas por 15 minutos (até as 10 horas da manhã ou após as 16 horas), sendo desaconselhável o uso de sabões, cremes ou pomadas no mamilo, bem como é contraindicada a expressão do peito (ou ordenha) durante a gestação para a retirada do colostro.

Durante o aleitamento materno, é fundamental que a mãe tenha uma alimentação saudável e balanceada, e que a amamentação seja realizada conforme a técnica adequada (posicionamento e pega adequados), a fim de prevenir fissuras e demais problemas nas mamas (ingurgitamento, mastite, abscesso mamário, dentre outros). 

Além disso, a mãe deve ter cuidados para que os mamilos se mantenham secos, expondo-os ao ar livre ou à luz solar e trocas frequentes dos forros utilizados quando há vazamento de leite. Não se deve utilizar produtos que retiram a proteção natural do mamilo, como sabões, álcool ou qualquer produto secante. 

Se for preciso interromper a mamada, de maneira que a sucção seja interrompida antes da criança ser retirada do seio, a mãe deve ser orientada sobre a introdução do dedo indicador ou mínimo pela comissura labial (canto) da boca do lactente, a fim de evitar lesões na região dos mamilos. Não devem ser utilizados protetores (intermediários) de mamilo, pois eles, além de não serem eficazes, podem ser a causa do trauma mamilar. Outro ponto importante a ser destacado é que o uso de medicamentos pela mulher durante o aleitamento materno só deve ser realizado mediante prescrição médica.

Não há dúvidas sobre os benefícios fisiológicos, psicológicos, socioeconômicos e culturais da prática do aleitamento materno, tanto para a mãe como para o bebê. No entanto, a vivência prática do aleitamento materno pode ser um desafio para muitas mães. 

“Vivenciei o aleitamento materno até os 2 anos e 5 meses de vida da minha filha, sendo exclusivo e sob livre demanda até o 6º mês, mesmo retornando ao trabalho quando ela tinha apenas 4 meses. Para isso, precisei do apoio e suporte do meu esposo, da minha família e de profissionais de saúde, para que esse momento tão importante para nós fosse o mais confortável e agradável possível, indo além dos aspectos biológicos que envolvem o aleitamento materno”, relata a professora Camilla Borges.

Segundo a professora, amamentar ultrapassou todos os limites da nutrição, pois se tornou um momento especial de conexão entre ela e sua filha, que até hoje tem reflexos no vínculo que construíram.

“Assim, para o sucesso do aleitamento materno, é fundamental informar as pessoas sobre os benefícios para o bebê, mãe, família e meio ambiente, além de divulgar o aleitamento materno como uma boa prática para a saúde das pessoas e do planeta, sendo um ato em defesa da vida e da natureza”, conclui a docente do curso de Medicina da Faculdade Atenas Passos.

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