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Outubro Rosa: prevenção ao câncer na mulher


Embora o Outubro Rosa tenha ganhado cada vez mais força e visibilidade, a Saúde Brasileira precisa apresentar uma grande evolução para impactar positivamente as ações de prevenção.  Quem aponta essa preocupação é a Drª. Liliane Silva, Cirurgiã Oncológica pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), mestranda em Clínica Cirúrgica pela Universidade de São Paulo (Campus Ribeirão Preto) e docente do curso de Medicina da Faculdade Atenas Passos. 

A Drª. Liliane preparou este artigo para a série “Conectados com o Professor”, que nesta edição chama a atenção para a saúde da mulher. 

O câncer de mama feminino ocupa a primeira posição mais frequente em todas as regiões brasileiras. Segundo estimativa do INCA, estimam-se 66.280 casos novos de câncer de mama no país, para cada ano do triênio 2020-2022.

Até o final de 2019, o rastreamento mamográfico das mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil já era preocupante – uma cobertura em torno de 20%, bem abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Esta baixa incidência ocorre por diversos fatores, tais como: dificuldade das mulheres em receber o pedido para o exame ainda no posto de saúde; a falta de qualificação dos profissionais do pronto-atendimento, que muitas vezes as encaminham para lugares distantes de suas residências; dificuldade de deslocamento (quando precisam realizar o exame longe de suas residências); mamógrafos quebrados ou em manutenção; e a falta de técnicos habilitados para manusear o equipamento. 

Com a pandemia do Covid-19 esse cenário piorou. A cobertura do exame foi bem abaixo dos 20% anteriormente realizados. Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, houve uma redução de 45% das mamografias realizadas pelo SUS nos sete primeiros meses de 2020, na faixa etária de 50 a 69 anos, o que poderá trazer um prejuízo para as mulheres com a possibilidade de aumento do tumor e menor chance de cura e de uma sobrevida mais longa.

Por isso, recomenda-se que nas regiões onde o pico do Covid-19 diminuiu e exista certa flexibilização, as mulheres retomem seus exames, desde que seguindo as medidas de segurança. 

Já nas regiões com alta incidência da pandemia, o mais correto é que as mulheres não consideradas urgentes, assintomáticas ou que fazem controle por alterações benignas, aguardem o momento de pico passar. No entanto, caso a mulher suspeite de um nódulo palpável, ela NÃO deve postergar e deve buscar atendimento imediatamente para fazer o diagnóstico.

Causas do câncer de mama
 
Não existe somente um fator de risco para câncer de mama, no entanto a idade acima dos 50 anos é considerada a mais importante. 

Outros fatores que contribuem para o aumento do risco de desenvolver a doença são fatores genéticos, como as mutações dos genes BRCA1 e BRCA2; fatores hereditários, como a ocorrência de câncer de mama ou de ovário na família; não ter filhos ou ter a primeira gestação próximo aos 40 anos; não ter amamentado; uso prolongado de terapia hormonal, além de menopausa tardia, obesidade, sedentarismo e exposições frequentes a radiações ionizantes, consumo de álcool ou tabagismo.

 Sintomas do câncer de mama

O câncer da mama inicial geralmente é assintomático, ou seja, você não percebe nenhum sintoma ou sinal. Este tipo de câncer é descoberto em exames (mamografia, ultrassom ou ressonância magnética). Quando o câncer de mama apresenta sintomas, é porque já existe um tumor, normalmente com mais de um centímetro. 

Algumas alterações físicas nas mamas podem ser indícios de câncer de mama: 
 - Aparecimento de nódulo (caroço) no seio ou na axila. Os nódulos podem apresentar dor ou não, ser duros e irregulares ou macios e redondos;
- Dor ou inversão do mamilo (volta-se para dentro da mama);
- Presença de secreção pelo mamilo, sanguinolenta ou não;
- Inchaço irregular em parte da mama, que pode ficar quente e vermelha;
- Irritação ou retração na pele ou aparecimento de rugosidade semelhante à casca de laranja;
- Vermelhidão ou descamação do mamilo ou da pele da mama;
- Nos casos mais adiantados, pode aparecer uma ulceração na pele com odor desagradável.

Um caroço na mama não necessariamente significa a existência de um câncer. Grande parte dos nódulos mamários encontrados são cistos e adenomas benignos, e não estão relacionados com a doença. 

As mamas se modificam naturalmente ao longo do ciclo menstrual, porém, alterações e sintomas como os descritos acima devem chamar a sua atenção e um médico deve ser consultado rapidamente. 

Quanto mais cedo as suspeitas se confirmarem e o tratamento for iniciado, maiores as chances de cura. Lembre-se: câncer de mama pode ter até 95% de chance de cura se diagnosticado e tratado precocemente.
 
Formas de tratamento

Após o diagnóstico e estadiamento da doença, o médico discutirá com a paciente as opções de tratamento. Nesse momento, é importante pesar os benefícios de cada opção terapêutica contra os possíveis riscos e efeitos colaterais. Existem vários tipos de tratamentos para o câncer de mama que dependem do tipo e do estágio da doença.

- Tratamentos locais: A terapia local visa tratar um tumor localmente, sem afetar o resto do corpo. Os tipos de terapia local utilizados para o câncer de mama incluem:
•             Cirurgia;
•             Radioterapia.

- Tratamentos sistêmicos: A terapia sistêmica se refere ao uso de medicamentos que podem ser administrados por via oral ou diretamente na corrente sanguínea para atingir as células cancerígenas em qualquer parte do corpo. Dependendo do tipo de câncer de mama, diferentes tipos de tratamentos sistêmicos podem ser usados, incluindo:
•             Quimioterapia;
•             Hormonioterapia;
•             Terapia-alvo;
•             Imunoterapia.

Os esquemas típicos de tratamentos estão baseados no tipo de câncer de mama, estadiamento e em situações especiais:
•             Câncer de mama por estágio;
•             Câncer de mama triplo-negativo;
•             Câncer de mama inflamatório;
•             Câncer de mama durante a gravidez.
 
Sobre a cura

Sim, existe cura para o câncer de mama! O diagnóstico precoce possibilita que as chances de cura sejam muito maiores no momento em que a doença é detectada, ou seja, quanto mais tarde a doença for diagnosticada e tratada, essa chance de cura vai ficando menor. 

Por isso, é preciso que as mulheres conheçam seu corpo e suas mamas, estejam atentas a qualquer alteração que possa indicar uma anormalidade, e procurem um médico imediatamente caso identifiquem alguma suspeita.

Prevenção do câncer de mama

Evitar a obesidade, através de dieta equilibrada, e a prática regular de exercícios físicos, são as recomendações básicas para prevenir o câncer de mama, já que o excesso de peso aumenta o risco de desenvolver a doença. 

A ingestão de álcool, mesmo em quantidade moderada, é contraindicada, pois é fator de risco para esse tipo de tumor. Além disso, deve-se evitar o tabagismo, assim como a exposição a radiações ionizantes. E fazer o autoexame regularmente, mantendo as consultas médicas e exames de rotina em dia, além da mamografia anualmente, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia.
 
Nesse Outubro Rosa 2020, a Sociedade Brasileira de Mastologia lançou o movimento de conscientização QUANTO ANTES MELHOR, objetivando chamar a atenção das mulheres para a adoção de um estilo de vida saudável no dia a dia.
 
Câncer de colo de útero
 
Embora o Outubro Rosa tenha sido originalmente criado para conscientizar sobre o câncer de mama, é também uma oportunidade para alertar sobre o câncer do colo de útero. 

O câncer do colo do útero está associado à infecção persistente por subtipos oncogênicos do vírus HPV (Papilomavírus Humano), especialmente o HPV-16 e o HPV-18, responsáveis por cerca de 70% dos cânceres cervicais. Além disso, o tabagismo, a iniciação sexual precoce, a multiplicidade de parceiros sexuais e o uso de contraceptivos orais são fatores de risco para o desenvolvimento desse tipo de câncer.

As estratégias para prevenção são o diagnóstico precoce (examinar pessoas com sinais e/ou sintomas da doença) e o rastreamento (aplicação de exame numa população assintomática, aparentemente saudável, com objetivo de identificar lesões sugestivas de câncer e encaminhá-la para investigação e tratamento). 

A estratégia de diagnóstico precoce contribui para a redução do estágio de apresentação do câncer. Nessa estratégia, é importante que a população e os profissionais estejam aptos para o reconhecimento dos sinais e sintomas suspeitos de câncer, bem como o acesso rápido e facilitado aos serviços de saúde. 

O rastreamento do câncer do colo do útero se baseia na história natural da doença e no reconhecimento de que o câncer invasivo evolui a partir de lesões precursoras (lesões intraepiteliais escamosas de alto grau e adenocarcinoma in situ), que podem ser detectadas e tratadas adequadamente, impedindo a progressão para o câncer.

O método principal e mais amplamente utilizado para rastreamento do câncer do colo do útero é o teste de Papanicolau (exame citopatológico do colo do útero). Segundo a OMS, com a cobertura de, no mínimo, 80% da população-alvo, e a garantia de diagnóstico e tratamento adequados dos casos alterados, é possível reduzir, em média, de 60 a 90% a incidência do câncer cervical invasivo.