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Conectados com o Professor - Junho Vermelho


Incentivo à doação de sangue

O mês de junho é marcado pelo início do inverno, pelas últimas provas semestrais, pelo fim do semestre e pelas viagens de volta para casa ou para turismo (dentro dos cuidados de combate à pandemia!). E é neste momento que os hemocentros registram as maiores quedas de seus estoques.

Por isso, o movimento “Eu Dou Sangue” lançou, em 2015, o “Junho Vermelho”, mês em que também se comemora o dia do doador de sangue, no dia 14, data instituída em homenagem ao nascimento do imunologista Karl Landsteiner, agraciado com o Nobel de Fisiologia de 1930, pela classificação dos grupos sanguíneos (sistema ABO) e descobridor do fator Rh.

A Drª. Marina Moraes Marques, preceptora de clínica médica da Faculdade Atenas Passos, preparou este texto para a série “Conectados com o Professor”, no qual aborda a doação de sangue e sua importância.

O sangue é um tecido líquido conjuntivo, formado por diferentes tipos de células suspensas no plasma, que circulam pelo organismo através do Sistema Circulatório, com a função de transportar nutrientes, metabólitos, oxigênio, gás carbônico, hormônios, anticorpos, entre outras substâncias essenciais para o funcionamento de tecidos e órgãos. 

Ele é composto por plasma, hemácias, leucócitos e plaquetas, que são produzidos na medula óssea de ossos chatos, como vértebras, costelas, quadril, crânio e esterno. Um adulto saudável tem de 7% a 8% de seu peso constituído por sangue, ou seja, um adulto de 70Kg tem aproximadamente 5 litros de sangue em seu organismo.

A transfusão sanguínea, ou seja, receber o sangue ou um dos seus componentes, é necessária quando existe a necessidade de restaurar a volemia, aumentar a capacidade do sangue de transportar oxigênio e/ou corrigir problemas de coagulação. 

Podemos ver essas situações em pessoas que sofreram perda sanguínea por lesões (politraumas em acidentes) ou por grandes cirurgias (como as ortopédicas), pessoas que estão em tratamento de câncer (como a leucemia), portadores de patologias sanguíneas (como a anemia falciforme e a talassemia). Essa transfusão sanguínea pode ajudar desde a melhora da qualidade de vida do paciente oncológico até mesmo revertendo casos severos de choque hipovolêmico. 

Antes da doação, é realizada uma triagem clínica para identificar fatores que impeçam a doação por condições de saúde do doador ou que coloquem riscos ao receptor. Em uma amostra do sangue coletado, são realizados diversos tipos de exames como tipagem sanguínea, triagem para Doença Falciforme, sorologia para HIV, Hepatite B e C, Sífilis, Doença de Chagas, HTLV. O sangue só é liberado para uso após o resultado desses exames, caso haja alguma reação sorológica, o sangue é descartado.

Após a coleta, a bolsa de sangue é fracionada em três hemocomponentes: concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas e plasma. Uma única coleta pode beneficiar até quatro pacientes. 

Na seleção do hemocomponente, deve haver compatibilidade sanguínea entre doador e receptor para evitar reações transfusionais. Assim, o teste de compatibilidade transfusional visa a identificação da compatibilidade ou incompatibilidade entre os grupos sanguíneos. 

Os grupos sanguíneos mais conhecidos são dos tipos A, B, O ou AB e do sistema Rh. Há maior prevalência dos grupos O e A e menor do grupo AB e B, assim como o grupo Rh negativo é mais difícil de se encontrar na população em geral (15%). Como o tipo O negativo consegue ser doado para uma gama maior de portadores de outros grupos sanguíneos, ele é o mais escasso nos estoques dos hemocentros. 

Podem doar sangue pessoas entre 18 e 69 anos, sendo que jovens de 16 e 17 anos podem doar quando acompanhados de seu representante legal, que assinará uma autorização. Maiores de 60 anos podem doar se comprovarem já terem doado antes, e devem respeitar o intervalo mínimo de 6 meses entre doações. 

Os intervalos entre as doações podem ser de 90 dias para mulheres (máximo de 3 doações no ano) e 60 dias para homens (máximo de 4 doações no ano). O doador deverá estar assintomático, em condições plenas de saúde, boas condições nutricionais e acima de 50Kg.

Existem critérios específicos para doação que são checados na avaliação médica, como por exemplo o uso de piercings ou tatuagens (impedem a doação por 12 meses após o procedimento), vacinação (impede a doação dentro de 48 horas até 1 ano, dependendo da vacina). E há situações que impedem definitivamente a doação, como: gravidez, amamentação, anemia hereditária, HIV, Hepatites B, C ou D, diabetes, hipertireoidismo, hipotireoidismo autoimune, uso atual ou pregresso de drogas ilícitas injetáveis, entre outros. 

Existem várias doenças, cirurgias, procedimentos e medicações que contraindicam a doação de sangue temporariamente ou definitivamente. Para mais informações, a lista completa se encontra no site da Fundação Hemominas. 

Até o ano passado, não era permitido que homossexuais doassem sangue. Em julgamento realizado em maio de 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a restrição é inconstitucional.  Em Minas Gerais, no dia 10 de junho de 2020 foi promulgada a Lei 23.654, que acrescenta o artigo 74-A à Lei Estadual 13.317, de 1999:

“Art. 74-A - As restrições, as normas, os requisitos e os critérios para doação de sangue serão aplicados igualmente a todos, sem distinção discriminatória de cor, raça, orientação sexual, identidade de gênero, entre outros, avaliando-se justificadamente as condutas individuais visando à proteção da saúde pública.”

A doação de sangue obedece a um volume máximo por quilo, sendo para mulheres 8ml/Kg e homens 9ml/Kg. Na Fundação Hemominas, para homens acima de 50Kg e mulheres acima de 60Kg, coletam-se 450ml; para mulheres entre 50kg e 55,9Kg, coletam-se 410ml. Essa quantidade retirada não faz falta para o doador e será reposta pelo próprio organismo. O procedimento todo (cadastro, aferição de sinais vitais, teste de anemia, triagem clínica, coleta do sangue e lanche) leva em torno de 40 minutos.

Quando for doar sangue, faça uma refeição leve e beba líquidos em volume maior bem antes e depois da doação. Evite qualquer tipo de esforço físico por 12 horas após a doação. O candidato à doação deve comparecer em condições plenas de saúde, lembrando que a doação é um gesto que permite salvar vidas, mas que não deve e não pode prejudicar a saúde do doador.

Para doar sangue, procure o hemocentro de sua cidade, apresentando documento original de identidade com foto. Em Passos, o Hemominas fica localizado na rua Dr. José Lemos de Barros, 313 (na rua ao lado do Ambulatório São Lucas) e está colhendo com agendamento prévio (devido à pandemia). Acesse o site www.hemominas.gov.br para fazer o agendamento.

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