Um estudo inovador liderado pelo biomédico Matheus Henrique Dias, publicado na revista Cancer Discovery em março de 2024, apresenta uma nova estratégia para o tratamento do câncer: a hiperativação de sinais oncológicos. Diferente das terapias tradicionais, que visam inibir os sinais que promovem o crescimento tumoral, essa pesquisa sugere que a hiperestimulação dessas vias, combinada à inibição de respostas específicas ao estresse celular, pode ser eficaz no combate às células cancerígenas.
Os pesquisadores concentraram-se em modelos de câncer colorretal e utilizaram o composto LB-100, um inibidor da enzima PP2A, para potencializar os sinais oncológicos. Os resultados mostraram que a inibição da PP2A aumentou a ativação das vias MAPK e WNT/β-catenina, que são cruciais para o crescimento celular, ao mesmo tempo em que desencadeou respostas de estresse, como a resposta a danos no DNA.
Esses achados promissores foram confirmados em modelos in vivo, onde a combinação de LB-100 com o inibidor de WEE1, adavosertib, resultou em uma redução significativa do crescimento tumoral, superando os tratamentos individuais. Curiosamente, a resistência adquirida a essa combinação terapêutica foi associada à diminuição da sinalização oncológica e da malignidade, apresentando um efeito incomum e promissor para o tratamento do câncer.
Os autores enfatizam que essa nova abordagem, que explora a hiperativação de sinais oncológicos, merece investigações clínicas mais aprofundadas. A metodologia será testada em pacientes com câncer colorretal na Holanda ainda este ano, trazendo esperança para novas alternativas no combate à doença.
Texto por: Dr. André de Oliveira